Leitura da Páscoa – Santô e os pais da aviação. O trabalho de Spacca, que eu li “num tiro” em Ubatuba, é primoroso. O trabalho flui muito bem sem perder a veia épica da história. O mais interessante é ter uma luz nessa história confusa sobre quem foi o pai da “maquina voadora mais pesada que o ar”. E, claro, foram vários os pais.
A ) Asterix. Essa frase”são loucos esses romanos” é uma referência a frase recorrente de Obelix. Que por sua vez refere-se ao acrônimo romano SPQR.
B ) Norman Rockwell. Essa parte homenageia a tela The Gossip.
C ) Francisco Fernando. Aqui o “estopim” da Primeira Guerra Mundial faz uma participação especial.

Minha querida personagem tomou uma sabia decisão, como a muito tempo não fazia. Viajar para conhecer novos horizontes e, quem sabe assim, mudar seus próprios humores.
Pra mudar de assunto, nada melhor que a poesia de Noel Rosa e a elegância de Mario Reis. Quando descobri o samba, na minha adolescência, descobri João Gilberto. E me encantei. Logo depois surgiu Mario Reis, aí foi amor a primeira vista. Aquilo era moderno, elegante, cool… ainda mais por ser música cantada nos anos 30, época em que a maioria dos cantores brasileiros ainda estava preso ao Bel Canto.
Bom, o mundo ainda é bem preso ao Bel Canto. Esse povo que gosta do BBB acha que cantar gritando é sinal de que a pessoa sabe cantar, e que isso é bom. Grite e você ganha nota alta no karakê e aumenta instântaneamente sua audiência. Então isso tudo reforça ainda mais a modernidade de Mario Reis. Pois bem, semana passada comprei o CD com músicas de Noel lançado pela Folha. E lá tem uma gravação impecável de Mario Reis para Mulato Bamba (no video acima, em uma versão de uma cantora que não conheço ainda). Mulato Bamba foi escrito em 1931 por Noel Rosa, e apresenta um malandro carioca, gay, valente e admirado (dizem que inspirado em Madame Satã - veja a letra aqui). Isso em 1931. O que o cara do BBB teria para falar sobre isso? Uma música gay, composta por um compositor hetero, cantado de forma sensual por “uma homem de sociedade” como Mario Reis. É irônico. E eu devo ser muito esquisito mesmo por precisar desse tipo de entretenimento. E mais esquisito ainda por achar um cara dos anos 30, que eu só vi em videos antigos e ouvi em gravações ruidosas, sensual. Mas sei que tá cheio de gente “freak” como eu, então separei um video de Mario Reis para gente como nós:
A possibilidade de produzir um filme com som surgiu em 1927, mas Pat Sullivan resisteu à idéia levando o seu personagem a um momento de crise, percebeu que estava nadando contra a maré quando Disney apresentou seu personagem de maior sucesso, Mickey, usando a inovação do som, em 1928. Até que enfim, em 1930, o Gato Félix sonoro foi transmitido pela primeira vez pela NBC.
A falta de proteção dos direitos autorais dessa época trazem mais de uma versão sobre quem foi o verdadeiro criador ou quem realmente desenhava o Félix. Dizem que Sullivan não era o desenhista, mas sim Bill Holman, e que seu criador foi o americano Otto Messmer, quem realmente desenhou as tiras mas só as assinou entre 1935 e 1954, sendo substituido por Joe Oriolo que seguiu com a produção dos desenhos animados até o fim.
“Félix não é um gato, ele é O Gato.” _ Marcel Brion, da Academia Francesa


E, para finalizar, tinha acabado de voltar de uma viagem a Londres logo depois dos atendados de 2005. E estava em Paris na época do atentado ao trem em Madrid.
Talvez tudo isso não tenha nada de especial ou diferente de alguém que simplesmente acompanha os fatos daqui. Mas a situação parece se complicar cada vez mais, eu eu observo muito isso. Para mim, que só posso observar mesmo, serve de referências para crônicas e análises superficiais, mas de uma época específica e que eu considero bem relevante, de transformação. E tendo essa paixão que tenho pelo velho continente, e a imensa curiosidade pelo oriente médio e norte da África, só posso esperar que essa situação (fundamentalismo, jihad, preconceitos etc), sabe-se lá quando, seja “ajeitada” de alguma forma.
