
Bud Fisher foi um dos artistas mais bem pagos do mundo dos comics.
Fonte: História da História em Quadrinhos, ed. brasiliense, Álvaro de MoyaDia desses estava almoçando no Ritz e vi uma mãe brigando com sua filha adolescente. Como ela estava em um ambiente público, preferiu levantar o tom da voz discretamente. Some a isso o fato de que o rosto dela não era dos mais expresivos (graças aos prováveis milhares de aplicações de toxina botulínica, aposto), quem pode culpar a filha chatinha por essa não entender a mensagem vinda da mãe?! Que essa estava de fato se indispondo com ela, e não apenas relatando algo. É, pelo jeito estamos na época da “cara de paisagem”, o que não é bom se você precisa desenhar expressões estereotipadas, como eu, ou se você for atriz americana querendo fazer filme inglês sério. E tudo isso me faz lembrar o caso Tom Ford…


No início, os desenhos eram copiados de material estrangeiro, como o Buster Brown já citado no post sobre Chiquinho, com exceção das criações de Jota Carlos, que eram originais.
E por falar em Chiquinho, ele foi o personagem mais importante da revista, sendo visto pelo público como um personagem tipicamente brasileiro, o que já sabemos que não era verdade.
Além da preferência nacional pelo ilustre personagem, a revista também tinha duas seções de sucesso, a “Lições de Vovô” e “Correspondência do Dr. Sabe-tudo”, que ensinaram coisas como ética, etiqueta e amor à pátria.
O logo foi desenhado pelo quadrinista Angelo Agostini, sofrendo um redesign em 1908, e uma criação nova em 1917 feita por Luís Sá.
Curiosidade sobre o nome da revista: o jornalista e fundador da revista, Luís Bartolomeu de Souza e Silva, viu um tico-tico no jardim de sua própria casa exatamente no momento em que estava tentando criar um nome para a revista.Alguns dos artistas que colaboraram com a revista: A. Rocha, Alfredo Storni, Angelo Agostini, Jota Carlos, Loureiro, Paulo Affonso, entre muitos outros.
Palavras de Carlos Drummond e Andrade: “O Tico-Tico era de fato a segunda vida dos meninos do começo do século, o cenário maior em que nos inseríamos para fugir à condição escrava de falsos marinheiros (referência à Chiquinho), trajados dominicalmente com o uniforme, porém sem o navio que nos substraísse ao poderio dos pais, dos tios e da escola. E era também misto de escola disfarçada de brincadeira.”
McCay era um artista criativo e ousado, e através dos quadrinhos já previa o que o cinema ia explorar mais tarde: as lentes grande-angulares e pontos de vista incomuns, além de representar o mundo onírico de Nemo com muita criatividade, nunca sendo repetitivo, ousando na distribuição dos quadros, verticais ou horizontais. Trazendo sempre imagens impactantes e coloridas.
Suas ilustrações eram um grande sucesso popular, o que não se podia dizer sobre a crítica, que não dava atenção para as histórias em quadrinhos, não considerando-as como uma forma de arte.
Após uma longa jornada cheia de criações, sendo sua primeira: Tales of the jungle imps., e na sequência: Dull Care, Poor Jake, Dreams of Rarebit Fiend, Little Sammy Sneeze, Hungri Henrietta, Sister’s Litte, Sister’s Beau e seu maior sucesso Little Nemo, todas publicadas, aos domingos, em diferentes jornais, McCay inicia na área da animação.
Em 1909 McCay apresenta sua primeira animação, How a mosquito operates, e 5 anos mais tarde projeta a animação de seu último personagem, Gertie the dinossaur (1914), um grande sucesso por mostrar um personagem com personalidade, carisma e com uma qualidade de animação impressionante. Além da inovação em unir video com desenho, pois no final, o próprio McCay interage com sua criação.
Fonte: História da História em Quadrinhos, ed. brasiliense, Álvaro de MoyaA repercussão foi tão grande que chamou a atenção de alguns produtores, inclusive de Tim Burton, que se identificou com o visual sombrio e o tema apocalíptico logo de cara.
Até que é mais um desses filmes sim, rs… mas muito original. É preciso ver para entender, se eu tentar explicar vou estragar as surpresas que acontecem durante o filme.
Só posso desejar uma boa curtição para quem optar assistir a mais UM filme, mas na minha opinião O filme, sobre o fim do mundo! rs…

Loureiro copiava mas também criava novas situações para os dois personagens do artista americano Richard Fenton Outcault.
Houve uma época em que na falta de uma história do Outcault, os quadrinistas brasileiros copiavam a história do famoso Little Nemo de McCay e substituíam seu personagem pelo Buster Brown, ou então, Chiquinho, o que resultou também na tradicional revista brasileira Chiquinho.
Mas nem tudo na obra de Loureiro foi pirataria, o personagem Benjamim foi criação sua, e que por ironia ou não, talvez ele estivesse ligado demais à mente de Outcault, foi um personagem muito similar à próxima criação do americano, o Lil’Mose.
O curioso é que mesmo após a morte de Outcault, a revista Tico-Tico continuou publicando o Chiquinho de Loureiro. Mas essa e outras histórias serão assunto de outros posts, aguarde.
Fonte: História da História em Quadrinhos, ed. brasiliense, Álvaro de Moya
O menino amarelo, personagem que consagrou o seu autor e se tornou o marco da HQ, surgiu primeiro em papel secundário em tiras sobre crianças faveladas, mas após um ano ganhou o papel principal e, a pedido da gráfica, um camisolão amarelo, que deu origem ao termo “jornalismo amarelo”, que se referia à temas sensacionalistas e populares, já que o personagem protagonizava tiras políticas.
A idéia de fazer esse personagem mais popular e assim abrir portas para o nascimento da linguagem dos comics, foi de Hearst, dono do New York World e provável inspiração para o protagonista de Cidadão Kane, filme de Orson Welles, mas isso é assunto para outro post. Mas bem, as tiras do menino amarelo foram feitas como narrativas progressivas e o balãozinho, antes não usado por Outcault, foi inserido.
Algum tempo depois, Outcault não aguentou a pressão da crítica sobre a imprensa sensacionalista e partiu para outra criação, o Buster Brown, ou Chiquinho aqui no Brasil.
Assim como o menino amarelo, Buster Brown, era um menino que aprontava com todo mundo, mas com uma diferença, ele não era das favelas mas sim da burguesia.
Chiquinho, o plágio de Buster Brown made in Brazil, vai ser assunto da próxima série de história da HQ.
Fonte: História da História em Quadrinhos, ed. brasiliense, Álvaro de Moya
Sua história mais famosa, Max und Moritz (Juca e Chico), de 1865, serviu de base para a história, de 1897, Os sobrinhos do Capitão, do americano Rudolph Dirks, publicada até hoje pelo seu filho. Mas a história original de Busch não emplacou porque foi duramente criticada pelos pedadogos da época, porque seus protagonistas serem crianças travessas.
Em suas andanças, Wihelm Busch trabalhou com quadrinhos, inovando com o seu humor e o uso de seqüência de imagens em continuidade, algo que o cinema usaria como parte de sua linguagem, trabalhou também com pintura e com caricatura.
“Caricatura e riso são os signos satânicos do homem.” _ Baudelaire“Wihelm Busch foi um dos maiores inventores da síntese cômica que já existiu… muitos fazedores de desenhos “simplificados” se inspiraram nele. Infelizmente, não copiaram sua profundidade de observação.” _ crítico de arte do jornal francês Le Figaro.
Fonte: História da História em Quadrinhos, ed. brasiliense, Álvaro de Moya
O interessante de sua trajetória é que no início queria ser pintor, mas por problemas de visão não foi possível, tornando-se assim, um escritor famoso. Ou seja, ele já reunia aí as duas principais áreas do conhecimento para criar a HQ, a escrita e o desenho.
Até que, durante os intervalos de seu trabalho como escritor e pedagogo, criou seis histórias em imagens chamadas Histories en Estampes, que ganharam elogios do famoso escritor alemão Goethe.
Reflexões feitas por Töpffer enquanto produzia suas futuras histórias em imagens:“Os desenhos, sem este texto, teriam um significado obscuro, o texto, sem o desenho, nada significaria. O todo junto forma uma espécie de romance (…)”
Todos os heróis de Töpffer estão à procura de algo simples, mas que acaba provocando catástrofes: é o objeto amado por M. Vieuxbois (1827), o cometa do Dr. Festus (1829), a liberdade de caça borboletas de M. Cryptogame (1830), o nascimento de M. Jabot (1831), um sistema educativo para crianças de M. Crépin (1837) ou um estaco social para Albert (1844).
Fonte: História da História em Quadrinhos, ed. brasiliense, Álvaro de Moya