Sem Orelha!

ALICE: MORRER PARA VIVER

Muitos podem criticar horrores mas acho que Alice firma a sua presença no mundo dos contos e a compreensão sobre a sua própria existência neste filme.

Ao contrário do que tenho lido nas críticas, gostei muito da Alice do Tim Burton. E como um cineasta-artista, ele conseguiu mais uma vez projetar seu estilo visual na tela, portanto, não vou opinar sobre os vários clichês do filme, como todos poderão constatar através de sua própria visão, mas vou tentar tecer uma análise mais profunda sobre o crescimento da personagem.

Tenho andado muito influenciada pela leitura de 3 livros de um psicólogo chamado Robert Johnson, He, She e We. Portanto, vou usar o She como base para as minhas idéias sobre o filme.

Acho que este filme se trata do amadurecimento de Alice numa fase em que ela se torna mulher. Nós a vemos no início do filme, como uma menina de 19 anos que obedece quase que rigorosamente às expectativas da sociedade e de sua família, e que termina o filme como uma mulher centrada em si mesma e por isso, mais forte em suas decisões.

E assim como no processo de desenvolvimento de uma menina na vida real, a Alice teve que deixar a sua antiga forma morrer para dar lugar a uma nova vida que estava ali latente.

Mas para isso, ela precisou passar por algumas etapas significativas e fazer escolhas que cabiam somente a ela, atitude que começou no momento em que ela optou pelo mergulho para dentro da toca do coelho, que a meu ver, é a sua entrada para o mundo do seu próprio inconsciente, já que o País das Maravilhas é tão surreal quanto um sonho.

Então, já coloco aqui a lista dessas tarefas ou escolhas: a entrada na toca, a aceitação daquele mundo como sendo tão real quanto o mundo lá fora, a aceitação dela mesma como sendo a verdadeira Alice, e as tarefas práticas como: resgatar a espada e levá-la até a rainha branca, acalmar o humor da rainha vermelha, matar o monstro e livrar aquele lugar do reinado dessa rainha.

Dentro do crescimento da consciência feminina, Alice atingiu sucesso nas tarefas, pois ela usou a arma que a mulher mais sabe empunhar numa luta: o Amor. Quase que em nenhum momento ela usou a força bruta para vencer, pelo contrário, e isso foi o fator determinante para que ela vencesse, pois ganhou muitos aliados com este Amor. Mas… Existe uma distorção no final de tudo, Alice é obrigada a matar o monstro, se veste de guerreira, empunha a espada e finalmente usa a força bruta! Em minha opinião, Hollywood foi mais forte aqui e distorceu a personagem… mas enfim, nada a declarar.

E bem, sobre o seu mergulho nesse mundo insano, isso é crucial para o desenvolvimento de qualquer mulher, inclusive aqui fora. É necessário fazer essa imersão, é super importante entender o próprio corpo, entender o que se passa no inconsciente, para se ouvir de verdade, sem ilusões. Por isso que Alice se vê como Alice quando ela finalmente aceita aquele mundo. Mas se eu fosse Tim Burton, eu teria feito a Alice pular naquela toca conscientemente, e não cair acidentalmente como aconteceu quando ela era criança.

Espero não ter sido muito chata e que você tenha entendido a minha visão sobre o filme. E fica aqui a minha dica de leitura para que você entenda melhor o que é isso tudo.

Sugiro a leitura do She de Robert Johnson ou um resumo muito bem feito pela minha amiga no blog “O Salto Quântico”. Acho que esta leitura vai ser muito útil para a criação de seus personagens e pra você mesmo.

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Esse post foi publicado sexta-feira, 11 de junho de 2010 às 14:47, e arquivado em Arte, Cinema, Pensamentos, por Lina Molina.
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8 comentários para “ALICE: MORRER PARA VIVER”

  1. Karina disse:

    Gostei! Finalmente uma crítica que me fez ter vontade de assistir Alice… ainda não vi. Mas sabe? Acho que a queda na toca do coelho começa acidentalmente mesmo… ou não? Adorei a ilustra!

  2. thon disse:

    Conhecer a sí é passar pelo portal, que leva à uma vida extra-bolha!

  3. Lina Molina disse:

    E que portal difícil de ultrapassar, né Thon? É preciso estar preparado e cheio de coragem pra atravessar esse portal cheio de surpresas e seres fantásticos.

  4. Lina Molina disse:

    Eu acho uma perda de tempo discutir o quanto o diretor é fiel à obra original, e o Tim Burton no seu papel de artista tem mais é que imprimir as suas impressões mesmo, por mais que isso magoe os fanáticos.
    Ahhh… e sobre a toca, eu acho que a queda acidental aconteceu quando ela era criança, mas agora a situação é outra, ela vai se tornar mulher e, na minha opinião, uma queda consciente traria mais força à personagem.

  5. Thon disse:

    Alice não apenas ‘mergulha’ no profundo ’ser’ e seus mitos, mas necessita de uma enorme e perigosa luta para sair mais forte e madura, mesmo com ferimentos que são em geral, nossas marcas de uma evolução!

  6. Lina Molina disse:

    Atenção para a “palinha” do Thon referente a um texto fenomenal que ele fez sobre Alice, e que em breve irá postar no Sem Orelha! Aguardem.
    Obrigada Thon!!!!

  7. Earthwind disse:

    Halellajuh! I needed this—you’re my savior.

  8. Lina Molina disse:

    Thanks, Earthwind! But can you read in portuguese?
    And thanks again for making me remember these thoughts, it’ll be useful for me at this moment.

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